Já pensou o que vão fazer com a gente? Ele pegou meu cigarro da minha mão e fumaça pela boca. Nunca fumava: fazia mal, deixava o pau mole, o cabelo se acabava. Não ele nunca fumava. Só os meus cigarros, só fumava os meus cigarros da minha boca.
- O que vão fazer?
- É. Quer dizer. As brigas e aquelas palhaçadas todas que a gente sabe que vão começar. Tu acha que as pessoas tão sempre bêbadas né? Não tão não, existe água sabe.
- Existe. Marion me chamou pra ir pra praia com ela. Mar. Faz tanto tempo que não entro no mar de noite...
O cigarro já tava quase pegando os dedos. Ele não fumava nunca. Mas os meus cigarros ele tomava e tragava como um profissional, michê do caralho. Não devia pensar assim. Que droga when we go there, uma porção de coisas e ele ali fumando e pensando naquela garota estúpida.
- Sabe... eu sei bem o que eles vão falar. E sei bem que aquele dia tu nunca ficou tão grato, cara. Sério, não tinha como não né? É bem melhor quando não ficamos sendo enrolados e desperdiçados pela rua... É melhor? Se bem que. Bom.
Devia haver um onde nós começamos "perdido em algum lugar". Não. Procurar nos lugares era como uma nódoa de gordura no vidro. Estava em alguma palavra, em algum daqueles malditos dias que chamamos de "código". Não vou acender outro cigarro. Mas que caralho. Ele sabia de tudo sempre.