sábado


"Para de olhar assim."
"Mas então como ficamos assim?"
"Ficamos o que, não ficamos nada."
"Fuckin' awe you say it to me"
"Para para, não dá pra ficar com isso logo agora né?"
"Dá pra fazer várias coisas. Mas você está olhando demais pra parede."
"Tô olhando pra tinta, é diferente"
"Tem outros ali tá vendo?"
"Pior não são bem eles, são os cérebros"
"Cérebro."
"Que?"
"Cada um tem um só. Mas você fala isso porque não viu as mãos e as veias de baixo"
"Como?"
"De baixo."
"Ah tá"
"As escadas também estão, tá vendo?"
"É um cabelo inconcruente"
"Se a parede não sair daí vai ser melhor"
"Vai ser fácil."
"Eu sei. Me beija. E depois finge que me ama"



Querido concreto:

Quem diz que você não tem coração nem respiração pra ninguém
É porque não viu que não as plantas crescem onde elas racham.

Mas aproveitam onde você próprio se permitiu rachar.



E vendo você correndo líquido e amontoado
É talvez por trás desses ossos de aço
Seja doloroso ter um destino.